domingo, 23 de setembro de 2007

de longe

De frente,
em frente ao espelho,
o que vejo não percebo.

Só longe e sem reflectir
sou capaz de me sentir

sábado, 1 de setembro de 2007

enfim


Os bancos
velhos
no jardim.
Esperam,
Os velhos.

Os velhos,
nos bancos,
Esperam.

Esperam
Enfim.


foto M.C. , o Pai

domingo, 29 de julho de 2007

outrem


Custam-me os outros,
muitos outros,
que a vida lhes sinto.

Custam-me os outros,
que para a minha,
A vida deles me minto.

Custam-me os outros,
tantos outros.

Mesmo só sentido
Os vivo.

Custam-me os outros,
que como eu,
Outros são.

E os outros que sentirão?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

TÁXI !

Quando a corrida começou,
conceitrei-me apenas na técnica:
as mãos ásperas rangiam na borracha, já gasta , do volante.
O pé não ia fundo no pedal,
o carro,
velho ,
de ralanti elevado mesmo sem andar rápido.
Cada mudança denunciava-se com o eco da manete ao entrar na caixa,
folgada, cansada, gasta.
O cheiro do cabedal fundia-se com o diesel.
Hipnotizado pelo pisca-pisca ,
prazerosamente ensurdecedor,
Fui interrompido , abruptamente:

- Ora cá estamos: são 6euros e setenta por favor
- Faça 8 euros
- Obrigado!
- De nada , boa tarde...

Nua

Despe-te.
despe tudo,
fica só com a roupa no corpo.

De roupa no corpo.
É Nua que te quero.

De corpo vestido,
de Amor despido.

Não te quero tua.
Não te quero nua.

É Nua que te quero.

num outro

Num outro dia,
de frente para mim.
olhei-te, olhei-te.
Olhei-te

No outro dia,
já longe de mim.
Vi-te , vi-te.
Vi-te

sexta-feira, 6 de julho de 2007

mas cai

Uma
ou outra,
todos os dias.

Uma
ou outra,
demora um dia
do olho até cair.

Uma
ou outra,
chega

lenta.

cai.

lenta.

mas cai

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Morreste

Quando ouço alguém dizer:
"- A mim...já nada me surpreende! "
Vejo um corpo,
pronto.
Pronto para morrer

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Peorema de Pitágoras


O quadrado,
da Hipotenusa,
É igual,
À soma,

do quadrado

dos catetos

domingo, 6 de maio de 2007

ontem, tarde


São 3 da tarde.
3 e pouco ou 3 e muito.
Não tenho relógio.

Sei que são 3 da tarde.
3 e pouco ou 3 e muito,
Talvez até 4 e alguns

Mas sei.
Sei pelo cheiro a café.
Sei pelos km de novelos de lã.
Sei pelo ritmo vagaroso e quente.

Tudo é mais devagar quando sao 3 da tarde
3 e pouco ou 3 e muito,
Talvez até 4 e alguns.

Sei que foram 3 da tarde.
3 e pouco ou 3 e muito,
Talvez até 4 e alguns.

E não serão mais

segunda-feira, 30 de abril de 2007

as tuas , as minhas , as nossas

Apanhei as minhas,
Gotas
Abri a janela e deitei-as,
Fora.

Juntei-me a ti,
Perto.
Com a mão na tua,
Cara.
Apanhei as tuas...

sexta-feira, 27 de abril de 2007

ideia

Aqui está:
Vibra em mim o desassossego da ideia...

Pulsa,
Aproxima-se,
Provoca-me,
Vai,
Regressa,
Vai...

Desassogado e Inquieto,
Observo-a parado:
desconcentradamente concentrado

Sem lhe tocar.

Forma-se.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

quarta-feira, 18 de abril de 2007

tal e qual

Sou tal e qual o que pareço.
Tal e qual como sou
Sou tudo ao mesmo tempo.

Começo , termino e acabo:
Em Ti,
Neste,
Naquele.
Algo definitavemente inacabado

Se me vês assim
Sou um pouco de mim
Em Ti.

domingo, 8 de abril de 2007

Tens aqui

Toma.
Dou-te,
aceita.
Recebe, mas não me peças.
Se me pedires,
não te vou querer dar,
nao vou conseguir querer dar-te,
nem vou querer conseguir dar-te.
Por isto...
recebe.
Recebe apenas.